Nas baladas mais badaladas da região os sons que mais tem se destacado são pagode, sertanejo universitário e hip-hop. Algumas casas de shows com festas semanais dedicam as noites dos fins de semana a novas bandas que se sobressaem pelo talento e carisma com que trabalham com o público. No meio de tanta gente nova nos palcos noturnos, bandas consolidam seus trabalhos particulares e acabam se promovendo nas rádios da região.
Um grupo que anda se apresentando com bastante freqüência nas baladas mais jovens é o “Sem Abuso”.
Grupo
“O Sem Abuso surgiu com a intenção de dar uma nova cara ao Samba e o Pagode, introduzindo a cultura musical brasileira através de uma mistura de ritmos, transmitindo alegria ao público e trazendo jovens e adolescentes para um novo conceito de entretenimento.
Com apenas cinco anos de existência, formado por Cesinha, Fernandinho, Paulinho e Yan, o Grupo Sem Abuso é, hoje, um dos maiores nomes do meio artístico do estado de Santa Catarina.
O Grupo já dividiu o palco por todo o país com artistas consagrados do meio do samba e pagode, cativando a admiração e o respeito de todos.
Virou hoje referência das melhores festas na região Sul, sempre tocando em belas casas noturnas, levando aos shows pessoas bonitas, alegres e com samba no pé.
Música de qualidade com um repertório jovem, animado e feito para agradar todos os públicos, adicionando a isto irreverência, carisma e profissionalismo, tanto dentro como fora dos palcos, este é o Sem Abuso e com isso o grupo vem conquistando um grande público no Sul e Sudeste Brasileiro.”
Na descrição tirada do site do grupo, podemos perceber que essa galera está ai para mostrar que qualquer som em declive com um toque especial e muito carisma pode sim, ganhar destaque novamente, para conhecer mais o grupo é só visitar o site oficial do sem abuso, ou freqüentar seus show semanais nas baladas da região.
O problema é o que elas falam que não dá pra agüentar
Nada na cabeça
Personalidade fraca
Tem a feminilidade e a sensualidade de uma vaca
Produzidas com roupinhas da estação
Que viram no anúncio da televisão
Milhões de pessoas transitam pelas ruas, mas conhecemos facilmente esse tipo de perua
Bundinha empinada pra mostrar que é bonita
E a cabeça parafinada pra ficar igual paquita
Lôrabúrra! (4x)
Elas estão em toda parte do meu Rio de Janeiro
E às vezes me interrogo se elas tão no mundo inteiro
À procura de carros
À procura de dinheiro
O lugar dessas cadelas era mesmo no puteiro
Só se preocupam em chamar a atenção
Não pelas idéias, mas pelo burrão
Não pensam em nada
Só querem badalar
Estar na moda tirar onda beber e fumar
Cadelinhas de boate ou ratinhas de praia
Apenas os otários aturam a sua laia
E enquanto o playboy te dá dinheiro e atenção
Eu só saio com você se for pra ser o Ricardão
Lôrabúrra!(4x)
Não eu não sou machista
Exigente talvez
Mas eu quero mulheres inteligentes
Não vocês
Vocês são o mais puro retrato da falsidade
Desculpa amor
Mas eu prefiro mulher de verdade
Você é medíocre e ainda sim orgulhosa
É mole?
Não ta com nada e ta prosa
E o seu jeito forçado de falar é deprimente
Já entendi seu problema
Vocês tão muito carentes
Mas eu só vou te usar
Você não é nada pra mim
(Humm meu amor
Foi bom pra você?)
…Ah deixa eu dormir
Pra que dar atenção pra quem não sabe conversar?
Pra falar sobre o tempo ou sobre como estava o mar? Não
Eu prefiro dormir
Sai daqui
Eu já fui bem claro, mas vou repetir
E pra você me entender vou ser ate mais direto:
Lôrabúrra, cê não passa de mulher-objeto
Lôrabúrra! (4x)
Escravas da moda vocês são todas iguais
Cabelos, sorrisos e gestos artificiais
Idéias banais e como dizem os Racionais:
(Mulheres vulgares
(Uma noite e nada mais)
Lôrabúrra você e vulgar sim
Seus valores são deturpados você é leviana
Pensa que está com tudo, mas se engana em sua frágil cabecinha de porcelana
A sua filosofia é ser bonita e gostosa
Fora disso é uma sebosa tapada e preconceituosa
Seus lindos peitos não merecem respeito
Marionetes alienadas vocês não têm jeito
Eu não sou agressivo
Contundente talvez
O Pensador dá valor às mulheres
Mas não vocês
Vocês são o mais puro retrato da falsidade
Desculpa amor
Mas eu prefiro mulher de verdade
Lôrabúrra! (4x)
É o problema não ta no cabelo
Tá na cabeça
Não se esqueça
Nem todas são sócias da farmácia (Lorácia)
Tem muita Lôrabúrra de cabelo preto e castanho por aí
É… Lôrabúrra morena, ruiva, preta…
Lôrabúrra careca
E tem a Lôrabúrra natural também (Loraça belzebúrra)
Cada Lôrabúrra é de um jeito, mas todas são iguais
Cê ta me entendendo?
(Eu gosto é de mulher)
Lôrabúrra!(4x)
Resenha
Alexssandra Caroline Enderle Mezzomo
Gabriel Contino ou Gabriel o Pensador, é intitulado um dos melhores rapers do país. Um grande cantor e compositor que obteve seu sucesso através das letras críticas que sempre escreveu. Gabriel expressa em suas músicas a revolta de toda uma nação com a situação social e moral do Brasil.
Porém mesmo sendo tudo que já citei acima, abusou terrivelmente de sua posição de “crítico musical” quando escreveu “Lôra Burra”. O que confesso não me agradou nem um pouco. Gabriel generalizou seu ponto de vista em relação às mulheres, na letra de tal música, onde cita que todas as loiras são completamente ignorantes e “quando abrem a boca… Humm que tristeza!”. Gabriel ao escrever esta música perdeu completamente o sentido. Ele deve ter sofrido muito por um ser oxigenado para tirar essa conclusão a respeito da cor do cabelo de uma pessoa.
E ao comparar uma pessoa de personalidade fraca com um animal no trecho, “Nada na cabeça. Personalidade fraca. Tem a feminilidade e a sensualidade de uma vaca”. Dizendo com palavras horríveis que as loiras em geral agem assim, ele se deixa cair completamente no conceito das “Lôras” que curtem o seu som. A forma que ele usa para descrever essas mulheres é completamente abusiva, os termos utilizados na música serviriam muito bem para um “puta processo judicial”, falando no linguajar dele.
Ele rotula todas as loiras como garotas propaganda, ou dançarinas de puteiro, que andam sempre com tudo na moda e pensando em gasolina e dinheiro vivo, sem parar para pensar que geralmente essas “lôras” são aquelas morenas ou ruivas sem cérebro que passam uma tinta vagabunda no cabelo e acham que ficam lindas. Provavelmente considerou muito mais simples falar de loiras em geral e queimar o filme de todas, perante uma sociedade que ele mesmo julga em várias de suas letras, inconseqüente e desigual. Cansou de escrever letras para gritar Brasil a fora, pregando igualdade de direitos e menos preconceitos, e de repente com apenas uma música derruba tudo o que disse antes agindo como o cara mais preconceituoso e ignorante de todos.
Gabriel deve sinceramente adorar freqüentar casas noturnas e suas garotas preferidas devem ser as loiras, afinal soube muito bem descrever a reação das mesmas nesta letra. Além da música sugiro ainda o clip da mesma, para que vejam o que realmente o garotão “bem instruído” sobre problemas sociais e morais quis dizer na expressão “Lôra Burra”.
No trecho a seguir ele insiste em ressaltar seu ponto de vista sobre a burrice das loiras, dizendo que elas são o retrato da falsidade, e as desconsiderando como verdadeiras mulheres. “Não eu não sou machista, exigente talvez. Mas eu quero mulheres inteligentes. Não vocês. Vocês são o mais puro retrato da falsidade. Desculpa amor. Mas eu prefiro mulher de verdade”. Gabriel me deixa bastante intrigada em relação a essas colocações, as quais afirma, com tanta certeza, destacando com freqüência que loiras não podem ser consideradas mulheres, mas se casualmente forem, serão consideradas mulheres objeto. Você usa, na cama ou em qualquer lugar que preferir, pois seu ponto de vista me parece ser esse, e depois simplesmente as despreza.
Mais uma vez deixa bem claro que suas “lôras” não prestam que são levianas e se preocupam apenas com a beleza exterior, a qual, segundo o “moço contundente”, para elas é a que importa, pois é a única que coisa que têm de útil em si. Logo depois de todas essas afirmações absurdas ele ainda tem coragem de dizer que “O Pensador dá valor às mulheres”. Como é que depois de tanta asneira ele ainda tem coragem de se titular de “O Pensador”, finalizando sua “grande junção de preconceito e ignorância, com o seguinte relato.”
“É o problema não ta no cabelo
Tá na cabeça
Não se esqueça
Nem todas são sócias da farmácia (Lorácia)
Tem muita Lôrabúrra de cabelo preto e castanho por aí
É… Lôrabúrra morena, ruiva, preta…
Lôrabúrra careca
E tem a Lôrabúrra natural também (Loraça belzebúrra)
Cada Lôrabúrra é de um jeito, mas todas são iguais
Cê ta me entendendo?
(Eu gosto é de mulher)”
E agora, pensar o que de “Gabriel o Pensador”? Que ele é o cara mais intelectual desse país e que realmente é um dos melhores rapers, como foi citado no início disso tudo. No meu conceito não é mais. De nada adianta ter um bom berço e uma excelente oportunidade de expor suas idéias, se elas se contradizem e são tão mesquinhas quanto às citadas nessa coisa ridícula, que ele teve coragem de chamar de música e divulgar publicamente.
Com isso ele apenas demonstrou sua revolta contra o sexo oposto, que no último trecho ficou bem clara, afinal, depois de tantos “adjetivos” que ele deu as mulheres, encerrou sua música dizendo que sua repugnância não é só contra as loiras e sim contra toda a parte feminina que cerca sua vida. Daí que cada um tire suas conclusões sobre qual foi realmente a intenção desse ser ao desprezar tanto as loiras e fazendo tal desfeche.